sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

The "we" word


"we" are living in...
"we" wish things...
"we" are planning to...
"we" decided...

Wish I could say it and hear it more often.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

CXI por Filipe Nunes Vicente


"Ao contrário do que diz a cartilha dos indigentes, ao pé do mar ficamos enormes, ficamos gigantes. Só de o ver.
Olhar sem esperar nada - nem sequer a retribuição - é um privilégio. O mar, como a morte, oferece-nos essa plateia. Diante deles só podemos melhorar"

domingo, 4 de dezembro de 2011

( )


quando fico com tempo suficiente para ouvir o silêncio no seu deslizar, acontece-me sempre cozinhar a nostalgia com devaneios de pensamento; acontece-me sempre ser outra coisa, outras coisas; depois fico meia inerte, um estranho bulício começa novamente a pouco e pouco, e rabisco umas palavras sem nexo. como agora. (e hoje conheci a frase: a solidão é a única amante que nunca te abandona).

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

senhora....

Hoje pela manhã fui ao pingo doce. Logo antes de estacionar já tinha um gestor de superfície a solicitar dinheiro. Neguei, mas prometi trazer-lhe um bolo, e assim fiz. Já no regresso a casa, numa rotunda com semáforos onde fui obrigada a parar, veio um grupo de veteranos de guerra pedir uma contribuição monetária. Por último, quando parei para tomar café antes de entrar em casa, aparece-me um senhor romeno com um papel escrito em português e com uma imagem de uma criança supostamente com paralisia cerebral, com um nome português, que supostamente seria neto do senhor, assim me afirmou, no seu mau português, quando o questionei sobre a veracidade do papel, enquanto me deixava enganar. Ainda bem que não saí mais de casa hoje.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011


Cada um de nós tem certamente o seu desígnio, o seu propósito e o seu caminho nesta vida. Depois, a natureza e a sociedade encarregam-se de nos dificultar a caminhada, e digo isto acreditando que deve ser justo pois que tudo converge e acontece para um equilíbrio do universo. Ainda assim, imagino-me por vezes a viver a vida das pessoas que tanto gosto de observar. E nesses devaneios dou por mim a estacionar a station wagon, a abrir a porta aos miúdos e a ir passear o cão.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ovo-amor

Abri a janela da alma e da casa-habitat onde existo agora. Abri-a, para que pudesse escrever. Abria-a para que a alma tenha espaço. Quero sentir-me branca, neutra e transparente. Quero a memória que imortaliza o amor e desejo um momento límpido e crepuscular para escrever. Divina inspiração ou musa concreta, ouço damien rice e amote. Amo-te. Isto é de facto muito claro para mim. As noites passadas procurando apenas enraizar-me nesse espaço que te pertencia. Uma tangente á paixão consumada numa fome que alimenta a jornada dos dias. Ainda não sei desses dias. Talvez que não tenham de facto existido para mim. Como explicar então a amnésia dos pormenores do quotidiano desse tempo, se a única coisa que me lembro é de ti? Eras tu a nascer em mim. Tantas noites passadas assim, a imaginar-te em mim, por dentro e á volta e tu ali á distância do meu braço, da minha face, da minha insanidade. Tantas noites assim. Infinitamente longas. A expectativa….A ilusão, o sonho tornado megalómano dia após dia, noite após noite. E era tão difícil tudo. Queria tanto fugir para ti, neutralizar-me nessa fusão que imaginava, dizer-te a mágoa de me ter permitido amar-te sem ainda ter conseguido a coragem de arrumar o meu armário velho e gasto. Ainda assim, parti ao teu encontro desculpando a minha urgência de proximidade com os abençoados projectos que nos couberam. Não sabia contudo o que esperar de ti e de nós. Acreditava em ti: Acreditava na inexistência da palavra nós. Sentia tanta vontade de te tocar, de cheirar a tua pele, de me aproximar dos teus lábios geometricamente desenhados para te sentir respirar…procurava o abraço, entrar nua de mim nesse abraço, no teu sorriso. Procurava-te sempre, aqui, onde tocava o meu coração. Cada gesto, cada palavra, cada expressão sem voz que esboçavas, cada tu, cada teu…tudo era para mim uma vitória que me enchia durante largos dias. O meu último pensamento no cais do sono era sempre essa vitória longe de estar ancorada. Na paixão, o mar é sempre agitado. Um abraço, um beijo dado mais próximo do canto dos lábios, um segredo ou uma qualquer palavra dita ao ouvido. Uma hipérbole de sensações. Fenomenal!

Estás comigo hoje. Desde aquela noite em que os meus lábios tocaram os teus sem que eu tivesse comando de mim. Assim, um roçar, um pequeno roçar…o culminar da música, das palavras que trocámos e que nem sequer recordo, do palco que inventámos sapatear, do voo das mãos em simbiose. Beijámo-nos. E tu…não fugiste, não falaste, não te mexeste. Olhaste-me, sem contudo eu perceber a resposta desse gesto desejado mas involuntário que pousei em ti. Escrevo para não mais esquecer esse momento. Para não perder os pormenores, o rigor, o cheiro, a música, a cor da luz, tudo. Escrevo para não perder essa fecundação…a origem, o ovo-nós. È tão fenomenal! Quão belo é o amor e a capacidade de perseverar.

Assim, beijei-te de novo. Retribuíste. Senti então a tua língua na confusão dos sentidos, no turbilhão do desejo de ti e passei rente ao céu, ao infinito, ao éden. Estávamos em sintonia. Julguei que te havia beijado desde sempre. Desde sempre e nos meus sonhos mais exóticos. Tomei-te nos braços, em mim. Toquei-te onde me era proibido até então. A área restrita. Sei que sabes do que falo. Cheirei a tua pele, inalei-me dentro dela e contigo olhei a nuez que tantas vezes havia imaginado. Senti que procuravas o meu corpo, o meu corpo desconhecido e generoso. Um corpo de mulher que era estéril para ti. Procuravas o meu seio com tal timidez que achei nessa inocência o mais puro dos desígnios. Entreguei-te a minha pele. E fomos á descoberta. Concordarás que é possível navegar.

Amo-te. Isto é muito claro para mim.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

pensamento frequente


Não conseguimos mudar a nossa essência...não pedimos que os outros mudem e é até egoísta exigir essa mudança. Vivemos o quotidiano e procuramos um ponto no meio. O ponto que nos mantenha íntegros e verdadeiros, embora a integridade nos possa trazer mais poeira quando queremos ver mais do que o hoje. E depois há o ponto do não retorno. Como em tudo. Como uma página que se vira. às vezes precisamos de uma borracha e vamos apagando para caberem lá mais palavras e não precisarmos de mudar a página, porque não queremos, porque temos medo, porque não queremos sair da zona de conforto. Por vezes não sabemos o que queremos, mas queremos mais. Por vezes, muitas vezes, a vida dá-nos tempo a mais para percebermos que sentido tomar. Nesse interlúdio, perdemo-nos e perdemos a força de controlar a nossa mente. Ao invés, achamos que devemos continuar a controlar a nossa vida e que temos o poder para isso. Idiotice. E por muito que escreva para mim e decore estas palavras, ainda não cheguei á liberdade de deixar tudo fluir sem medos. E será que há um ponto de chegada? Vou viajando entre mim e lá fora. O que temos verdadeiramente? Nada nos pertence. Nem nós. E tudo vai cabendo na página, mas queremos mais. Quero mais. Ou talvez não deva querer nada, para me surpreender sempre.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O dia de genuflexão - excerto do livro A Boca do Inferno

"o já célebre Padre Loreno pediu aos fiéis que não votassem nos partidos que defendem o casamento entre homossexuais, uma vez que a Igreja é contra o casamento entre homossexuais. Mas o padre Loreno não pediu aos fiéis que não votassem nos partidos que defendeream a guerra, embora a Igreja, tenha sido, também, contra a guerra. O padre Loreno, teve, pois, de optar. E, entre a guerra e o casamento homossexual, optou por condenar o mais pernicioso. Isto significa, evidentemente, que o padre Loreno prefere que dois homens se matem do que se casem (...) porque a casarem-se, ainda eram capazes de se amar pela vida fora e tal...(...).
Quando o casamento entre homossexuais for já uma instituição contra a qual não há nada a fazer, o padre Loreno estará metido em sarilhos. Filosoficamente falando, claro. Que dirá ele então: condenará o divórcio entre homossexuais, uma vez que a Igreja é contra o divórcio; ou apoiá-lo-á porque se desfaz um lar homossexual - e a Igreja condena a homossexualidade? Dilemas."

quinta-feira, 27 de maio de 2010