"(...) os teus lábios podem ser a sinédoque do poema; mas os teus seios não se limitam a metáforas da expressão amorosa; e o teu corpo nada tem a ver com retórica, nem sequer se transmuta em ave, num impulso neoplatónico, como se as palavras tivessem de roubar a substância do poema só porque os outros a usaram, as gastaram, as despiram da matéria que envolve os sentimentos. (...) sei que o poema te irá vestir de hipérboles, enrolar os teus cabelos em fios de anáfora, espalhar o teu sorriso pelo mais tópico dos símbolos. (...) ; Mas és tu; e o que verso algum poderá esconder é esse amor que corre por dentro dele, e o alimenta, como um vento divino nas encostas de um espírito. Então abro a cama da estrofe; e deito-me contigo nessa comparação, ouvindo o roçar de lençóis dos dois termos da figura, enquanto não chegas para sacudir, com a realidade do teu riso, o pó da poesia."
domingo, 18 de janeiro de 2009
Uma definição do Amor
"(...) os teus lábios podem ser a sinédoque do poema; mas os teus seios não se limitam a metáforas da expressão amorosa; e o teu corpo nada tem a ver com retórica, nem sequer se transmuta em ave, num impulso neoplatónico, como se as palavras tivessem de roubar a substância do poema só porque os outros a usaram, as gastaram, as despiram da matéria que envolve os sentimentos. (...) sei que o poema te irá vestir de hipérboles, enrolar os teus cabelos em fios de anáfora, espalhar o teu sorriso pelo mais tópico dos símbolos. (...) ; Mas és tu; e o que verso algum poderá esconder é esse amor que corre por dentro dele, e o alimenta, como um vento divino nas encostas de um espírito. Então abro a cama da estrofe; e deito-me contigo nessa comparação, ouvindo o roçar de lençóis dos dois termos da figura, enquanto não chegas para sacudir, com a realidade do teu riso, o pó da poesia."
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Cartografia de Emoções,
Nuno Júdice
domingo, 4 de janeiro de 2009
Childhood
Quando encontrei esta carta no meu baú de papéis-memória, sorri com as lágrimas a querer sair. Não me lembrava de todo de me ter sido oferecido. Quem diria que após tantos anos me fizesse viajar em retrocesso e me enchesse o coração. Aqui o torno visível, e sei que contêm palavras de pureza e inocência. Sentimento de criança. Memórias de infância. "é uma filosofia de vida: saberes que o tempo corre, e nada do que se deixa por viver se poderá recuperar. Digo-te, no entanto, que um instante pode conter em si todo o tempo que quisermos. Ponho-o á tua frente, como se fosse uma moeda, e tu perguntas-me o que vale mais: cara ou coroa? Não. O valor não é o que está aqui, neste pedaço de metal, mas o que ele significa.(...) Assim, nós próprios, que somos cada um de nós a cara e a coroa de um sentimento que nos envolve, não contamos. O que importa é o significado do amor que nos une, mesmo que nem sempre a moeda esteja em cima da mesa, ou já nos tenham dado o troco" Nuno Júdice - o signo segundo Saussure.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Gosto III

Gosto quando amanhece. Gosto da ausencia de obrigação do som do despertador. Gosto quando abro o estore e a luz ilumina o quarto. Gosto de olhar para ti, escondida nos lençóis. Gosto de me perguntares sempre "onde vais?". Gosto quando me agarras e me pedes para ficar um pouco mais. Gosto quando me impões que te abrace. Gosto de te beijar sem conseguires ainda abrir os olhos. Gosto destas manhãs. Gosto mesmo.
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sábado, 13 de dezembro de 2008
Gosto II

"gosto de sair do mar ligeiramente cansada, desperta, fresca;
de ficar parada depois a olhá-lo, com o sol intenso a secar-me as bolhas de água
e a aquecer-me o corpo;
e gosto quando, ao sentir o vento na praia
visto a t-shirt largada na areia quente
e o algodão me aquece de imediato o tronco
durante breves instantes"
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domingo, 30 de novembro de 2008
sábado, 22 de novembro de 2008
swan
subtil corpo de branca penugem
és de música, de algodão
de cetim, ou marfim
és em mim.
esguio, bailarino
cisne
translúcido, de cristal
beleza tal
vénus, safo, afrodite
templo secreto, sagrado
teu fado, meu fado.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
domingo, 16 de novembro de 2008
eus
aponto o dedo para a imagem no espelho
por vezes não sei quem é.
fico presa nessa pausa da vida
e acontece-me regressar
para lavar a cara.
depois já não olho de novo
não vá o dedo apontar para mim
e acusar-me.
por vezes não sei quem é.
fico presa nessa pausa da vida
e acontece-me regressar
para lavar a cara.
depois já não olho de novo
não vá o dedo apontar para mim
e acusar-me.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Gosto
gosto de, com os meus lábios, prender os teus lábios;
gosto de, com a minha língua, sentir os seus contornos
e gosto sempre, quando de fugida, retribuis com a tua língua
uma dança de saliva.
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quarta-feira, 15 de outubro de 2008
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