Estamos em finais da década de 80, início dos anos 90. Somos 5, como nos livros que ás vezes íamos alugar á biblioteca, de bicicleta. Sempre de bicicleta. As famosas BMX, de que nos orgulhávamos tanto. Ás vezes decidíamos pintá-las, ou acrescentar um ou outro acessório para as modernizar e diferenciar, ou então só para passar o tempo imaginado que éramos mecânicos. Éramos 5, como nos livros. A biblioteca era pequenina e cheia de livros. Algo distante da nossa casa, tínhamos liberdade total para ir de bicicleta onde bem entendessemos. Muitas vezes nem os progenitores sabiam onde andávamos. Sabiam apenas que estávamos juntos, os cinco. Aparecíamos sempre para jantar. Sempre fomos bem educados. Algo tímidos, mas bem educados. Nunca porém nos faltou a rebeldia doseada da infância. Tinhamos prazer em vestir personagens de detectives e imaginar que os paus e os tijolos eram verdadeiras G3, como aquelas que apareciam no filmes que víamos em cada da avó. Afinal, a televisão era a cores, e era grande. Tinha um moldura castanha, que sempre me pareceu original. Gostávamos de dar tiros com as chumbeiras. Nunca nos passou pela cabeça fazer coisas que hoje toda a gente teme e desgraçado do pai que deixar o seu filho pegar numa arma de pressão de ar. Éramos 5. Eu, o andré, o "juberto", a mizé e a miguelinha. Sabíamos aquilo para que cada um de nós tinha jeito. Quando brincávamos aos pais, sabíamos que o andré gostava de atirar a boneca para o ar e dizer baboseiras. Quando jogávamos á bola, sabíamos que a miguelinha dificilmente ía marcar um golo. Quando andávamos pelo pasto a correr, não sabíamos que íamos chegar a casa cheios de pulgas.Tinhamos a nossa cadelinha, a Charlie, por causa dos desenhos animados que viamos. Aos sábados e domingos tinhamos hora marcada para nos encontrarmos, com as nossas bicicletas. Não podiamos faltar. E passávamos a semana á espera destes dois dias de pura brincadeira. Houve um dia que até combinámos ser obrigatório ir de t-shirt branca e o nosso grupo, o nosso inocente guetto, tinha por nome : Os Lobos. Não sei porquê. Pareceu-nos bem. Dava uma imagem de união e de força, atiro eu. Talvez tenha sido por isso. Pela união e pela força. Partilhávamos a roupa e os sapatos uns dos outros, as bicicletas, os legos, tudo. Viamos filmes juntos. Ríamo-nos sempre nas mesmas alturas (excepto o andré que adormecia muitas vezes). Ás vezes a avô também via um filme connosco e ria-se muito também. E a barriga dela abanava. O colo da avó sempre nos fez tão bem. Nenhum de nós esquece como é esse lugar, ainda hoje. A avó continua com um colo doce. Não sabíamos o que iríamos ser quando crescessemos, nem o que era o PEC. Não tinhamos internet, telemóvel ou playstation. Tinhamos sempre um bola de futebol e uma de basquete. Não faziamos desporto nem tinhamos língua estrangeira na royal school. Tirando o avô, ninguém nos obrigava a estudar. E mesmo o avô, sabiamos bem como lidar com ele, porque conseguíamos sempre jogar ping pong na mesa da sala em vez de fazer a tabuada. Comíamos o que estava na mesa porque o avô dizia que se não comessemos ao meio dia, o iríamos comer á noite ao jantar. O meu avô ás vezes levava-nos para o posto da GNR, onde trabalhava, e com orgulho dizia que éramos os netos, da maria, da gracinda e da "cramelina". Ouvíamos música no rádio, depois de o desmontarmos e voltarmos a montar. Tinhamos sempre óleo de corrente nas calças. Usávamos bonés. Éramos livres. Fomos felizes na nossa infância. Muito. Viamos séries magníficas como o verão azul. Éramos os lobos. Éramos força e união. Somos hoje mais do que primos. Somos sangue e somos amor.
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quinta-feira, 27 de maio de 2010
terça-feira, 18 de março de 2008
A Pedir. Soneto

Peço-te para que me escutes
sem ter que usar as palavras vazias
nenhuma delas me diz;
com efeito, todas me omitem.
Peço-te para que me abraces
sem ter de abrir os meus braços a ti;
ficar-me apenas pelo peso do corpo
deixado ao acaso na areia do solo.
Peço-te então que me beijes
sem esperar a sintonia dos lábios
e que me circundes o rosto cansado.
Peço-te porque hoje a ti me dirijo.
Não sei mais que pedir-te somente
afago para mais esta existência de protesto.
sem ter que usar as palavras vazias
nenhuma delas me diz;
com efeito, todas me omitem.
Peço-te para que me abraces
sem ter de abrir os meus braços a ti;
ficar-me apenas pelo peso do corpo
deixado ao acaso na areia do solo.
Peço-te então que me beijes
sem esperar a sintonia dos lábios
e que me circundes o rosto cansado.
Peço-te porque hoje a ti me dirijo.
Não sei mais que pedir-te somente
afago para mais esta existência de protesto.
Ambíguo

Que me doí...como de entre dois espelhos
um não é permitido.
Sim, assim parece (e mais do que isso)
assim o é!
E eu sou aquilo que não sei se sou;
sou a inversão
a divisão egoísta da insanidade.
Dou como certo que aceito a pureza como perversa.
A liberdade está no voo que nunca dei
naquele salto a que nunca me aventurei.
Sugam-me pensamentos do nada irreal
ou imoral;
Do comportamento esperado e não desejado.
2001-06-01
sexta-feira, 14 de março de 2008
Abraço

Derradeiro é o momento
que se faz, que nos faz.Um aprazível desejo
para te abraçar, envolverTal qual recolho uma nuvem,
nenúfar evoar, voar!
Teu corpo é
peça mágica de um puzzle
no encaixe perfeitoda vida que toma sentido
á ordem racional do concreto.
Abraço-te.
De quando em quando
te dou a forma de um poema.
Abraço-te.
Tomo-te em mim, nas minhas mãos,
no meu corpo
que então,
não se torna mais meu
porque se funde no teu.
A pequena hora nostálgica da eterna noite

A pequena hora nostálgica da eterna noite
desceu, cresceu, eclodiu, venceu.
Abriu a porta de dentro
esta, de mim, por aqui;
do coração para a caneta
da melodia para o chão
solo firme, inerte, purgante.
Compasso ou moratória, é sempre de espera.
A transição da mágoa
do nascido, do morto, do projecto-fim.
Não faço parte do Deus que para mim existe.
A estrada menos percorrida.
Caçarei a minha alma fugida
saída por entre as frestas da incerteza e da culpa.
O poema que se faz
é sempre na pequena hora nostálgica da eterna noite.
Busco a estranheza da melancolia na sua essência;
faz-se batalha a procura de certezas
de uma pausa-equilíbrio
do vento que não fustigue.
Com graça sofreremos e recuperaremos
da graça com que lutamos num semi-corpo em definição
Múltiplos braços que seguram o hoje
o hoje da pequena hora nostálgica da eterna noite.
Bate como açoite
aquilo que deixamos a meio
na plena cinética das metas e da projecção.
A música dói na sua viagem memorial...
Peçamos uma consciência mais negligente;
não mais um amor mutante
desse que vem delicado, prazeroso, fértil
mas frágil.
Frágil em mais uma pequena hora nostálgica da eterna noite.
Adormeci na hipérbole da sensação.
desceu, cresceu, eclodiu, venceu.
Abriu a porta de dentro
esta, de mim, por aqui;
do coração para a caneta
da melodia para o chão
solo firme, inerte, purgante.
Compasso ou moratória, é sempre de espera.
A transição da mágoa
do nascido, do morto, do projecto-fim.
Não faço parte do Deus que para mim existe.
A estrada menos percorrida.
Caçarei a minha alma fugida
saída por entre as frestas da incerteza e da culpa.
O poema que se faz
é sempre na pequena hora nostálgica da eterna noite.
Busco a estranheza da melancolia na sua essência;
faz-se batalha a procura de certezas
de uma pausa-equilíbrio
do vento que não fustigue.
Com graça sofreremos e recuperaremos
da graça com que lutamos num semi-corpo em definição
Múltiplos braços que seguram o hoje
o hoje da pequena hora nostálgica da eterna noite.
Bate como açoite
aquilo que deixamos a meio
na plena cinética das metas e da projecção.
A música dói na sua viagem memorial...
Peçamos uma consciência mais negligente;
não mais um amor mutante
desse que vem delicado, prazeroso, fértil
mas frágil.
Frágil em mais uma pequena hora nostálgica da eterna noite.
Adormeci na hipérbole da sensação.
sábado, 8 de março de 2008
Pausa
segunda-feira, 3 de março de 2008
Fios Soltos. Conversas
miosotys: O amor é um lugar estranho.
armisén: Estranho sonho que tive esta noite...
miosotys: Noite, condensa medos, eleva anjos efémeros.
armisén: efémeros? que raio de palavra para começar uma frase.
miosotys: A frase que construo com palavras. E eu nunca foi um domador de palavras.Como Ruy Belo, sou domada por elas.
armisén:elas são mesmo assim, iguais a elas próprias.
miosotys: próprias e peculiares expressões. Expressão ao mundo.
armisén: que mundo? pergunto.
miosotys: "Eu não sou eu, nem sou outro. Sou qualquer coisa de intermédio. Pilar da ponte do tédio".
armisén: Tédio este que me invade e que tento sacudir.
miosotys: sacudir as energias negativas. Relaxar.
ármisen: liberta-te, solta-te, encontra-se...Revela o que sentes.
miosotys: Sentes tudo e de todas as maneiras?!
armisén: Estranho sonho que tive esta noite...
miosotys: Noite, condensa medos, eleva anjos efémeros.
armisén: efémeros? que raio de palavra para começar uma frase.
miosotys: A frase que construo com palavras. E eu nunca foi um domador de palavras.Como Ruy Belo, sou domada por elas.
armisén:elas são mesmo assim, iguais a elas próprias.
miosotys: próprias e peculiares expressões. Expressão ao mundo.
armisén: que mundo? pergunto.
miosotys: "Eu não sou eu, nem sou outro. Sou qualquer coisa de intermédio. Pilar da ponte do tédio".
armisén: Tédio este que me invade e que tento sacudir.
miosotys: sacudir as energias negativas. Relaxar.
ármisen: liberta-te, solta-te, encontra-se...Revela o que sentes.
miosotys: Sentes tudo e de todas as maneiras?!
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