quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O dia de genuflexão - excerto do livro A Boca do Inferno

"o já célebre Padre Loreno pediu aos fiéis que não votassem nos partidos que defendem o casamento entre homossexuais, uma vez que a Igreja é contra o casamento entre homossexuais. Mas o padre Loreno não pediu aos fiéis que não votassem nos partidos que defendeream a guerra, embora a Igreja, tenha sido, também, contra a guerra. O padre Loreno, teve, pois, de optar. E, entre a guerra e o casamento homossexual, optou por condenar o mais pernicioso. Isto significa, evidentemente, que o padre Loreno prefere que dois homens se matem do que se casem (...) porque a casarem-se, ainda eram capazes de se amar pela vida fora e tal...(...).
Quando o casamento entre homossexuais for já uma instituição contra a qual não há nada a fazer, o padre Loreno estará metido em sarilhos. Filosoficamente falando, claro. Que dirá ele então: condenará o divórcio entre homossexuais, uma vez que a Igreja é contra o divórcio; ou apoiá-lo-á porque se desfaz um lar homossexual - e a Igreja condena a homossexualidade? Dilemas."

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Verão Azul

Os Lobos

Estamos em finais da década de 80, início dos anos 90. Somos 5, como nos livros que ás vezes íamos alugar á biblioteca, de bicicleta. Sempre de bicicleta. As famosas BMX, de que nos orgulhávamos tanto. Ás vezes decidíamos pintá-las, ou acrescentar um ou outro acessório para as modernizar e diferenciar, ou então só para passar o tempo imaginado que éramos mecânicos. Éramos 5, como nos livros. A biblioteca era pequenina e cheia de livros. Algo distante da nossa casa, tínhamos liberdade total para ir de bicicleta onde bem entendessemos. Muitas vezes nem os progenitores sabiam onde andávamos. Sabiam apenas que estávamos juntos, os cinco. Aparecíamos sempre para jantar. Sempre fomos bem educados. Algo tímidos, mas bem educados. Nunca porém nos faltou a rebeldia doseada da infância. Tinhamos prazer em vestir personagens de detectives e imaginar que os paus e os tijolos eram verdadeiras G3, como aquelas que apareciam no filmes que víamos em cada da avó. Afinal, a televisão era a cores, e era grande. Tinha um moldura castanha, que sempre me pareceu original. Gostávamos de dar tiros com as chumbeiras. Nunca nos passou pela cabeça fazer coisas que hoje toda a gente teme e desgraçado do pai que deixar o seu filho pegar numa arma de pressão de ar. Éramos 5. Eu, o andré, o "juberto", a mizé e a miguelinha. Sabíamos aquilo para que cada um de nós tinha jeito. Quando brincávamos aos pais, sabíamos que o andré gostava de atirar a boneca para o ar e dizer baboseiras. Quando jogávamos á bola, sabíamos que a miguelinha dificilmente ía marcar um golo. Quando andávamos pelo pasto a correr, não sabíamos que íamos chegar a casa cheios de pulgas.Tinhamos a nossa cadelinha, a Charlie, por causa dos desenhos animados que viamos. Aos sábados e domingos tinhamos hora marcada para nos encontrarmos, com as nossas bicicletas. Não podiamos faltar. E passávamos a semana á espera destes dois dias de pura brincadeira. Houve um dia que até combinámos ser obrigatório ir de t-shirt branca e o nosso grupo, o nosso inocente guetto, tinha por nome : Os Lobos. Não sei porquê. Pareceu-nos bem. Dava uma imagem de união e de força, atiro eu. Talvez tenha sido por isso. Pela união e pela força. Partilhávamos a roupa e os sapatos uns dos outros, as bicicletas, os legos, tudo. Viamos filmes juntos. Ríamo-nos sempre nas mesmas alturas (excepto o andré que adormecia muitas vezes). Ás vezes a avô também via um filme connosco e ria-se muito também. E a barriga dela abanava. O colo da avó sempre nos fez tão bem. Nenhum de nós esquece como é esse lugar, ainda hoje. A avó continua com um colo doce. Não sabíamos o que iríamos ser quando crescessemos, nem o que era o PEC. Não tinhamos internet, telemóvel ou playstation. Tinhamos sempre um bola de futebol e uma de basquete. Não faziamos desporto nem tinhamos língua estrangeira na royal school. Tirando o avô, ninguém nos obrigava a estudar. E mesmo o avô, sabiamos bem como lidar com ele, porque conseguíamos sempre jogar ping pong na mesa da sala em vez de fazer a tabuada. Comíamos o que estava na mesa porque o avô dizia que se não comessemos ao meio dia, o iríamos comer á noite ao jantar. O meu avô ás vezes levava-nos para o posto da GNR, onde trabalhava, e com orgulho dizia que éramos os netos, da maria, da gracinda e da "cramelina". Ouvíamos música no rádio, depois de o desmontarmos e voltarmos a montar. Tinhamos sempre óleo de corrente nas calças. Usávamos bonés. Éramos livres. Fomos felizes na nossa infância. Muito. Viamos séries magníficas como o verão azul. Éramos os lobos. Éramos força e união. Somos hoje mais do que primos. Somos sangue e somos amor.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Excertos


Foi a primeira vez que li Pedro Paixão. Li "a vida é tudo o que acontece". Gostei, embora tivesse passado ao de leve por certos capítulos, com menos entusiasmo e mais dúvidas de que ás vezes sou capaz de compreender os livros. Contudo, este capítulo entranhou-se-me na carne, estranhamente verdadeiro e doloroso, como o amor é, foi, ou será em determinado momento.
"(...)O amor é uma leve aranha que sobre pelo teu peito nu de mulher. O amor é um animal violento que se apodera de nós. Só em nós pode viver. O que não pede nada em troca e tudo exige. (...) no amor somos iguais, somos ninguém(...).o amor não tem partes, não negoceia, é um risco. O amor é obsessivo, tenaz, caprichoso. Não mostra qualquer compaixão. Nada perdoa. (...). Não te posso dar nada senão amor. Amor é a única coisa que tenho em excesso. Que devo contigo fazer? Que posso esperar de nós?"

O Amor, por Francesco Alberoni


"O amor deve tornar-se logos, conceitos, palavras. Enquanto não sei amar e enquanto não digo amo-te, não amo plenamente. Enquanto não me identifico com o outro e não faço minhas a sua vida, história, sensações e sonhos, ainda estou na antecâmara do amor."

quarta-feira, 31 de março de 2010

Instante Exacto


"apresentaste-me a noite
as ruas sinuosas da vida
amanheci no teu sorriso
ó mulher de rosto inquieto
na febre das horas vieste
colher o corpo e os frutos
no regaço trazias o mar
novas de viagem e paixão
liberdade de asas e vento."

Percursos da Sensualidade


Foi bom ter podido olhar longamente
o teu sono cansado, poder dar asas
ás minhas mãos por entre os teus cabelos,
poder passear a ternura infinita, porque toda,
pelo corpo belo e macio que é o teu.
Sentir-te viva, cansada e indefesa.
Poder satisfazer,
até aos limites do meu próprio cansaço
a tua vontade de ternura.

E é bom andar de mãos dadas pelas ruas.
Mesmo que seja só até ao acordar do sonho.
E depois, mesmo acordada, continua a ser bom.
Mesmo quebrados os ternos laços
com os impossíveis.

São tão bonitos os teus olhos na fotografia...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Intenso...

Não me interessa qual é o teu modo de vida.
Quero saber o que anseias, e se ousas sonhar conhecer os desejos do teu coração.
Não me interessa que idade tens.
Quero saber se arriscas procurar que nem um louco o amor, os sonhos, a aventura de estar vivo.
Não me interessa saber quais os planetas que estão em quadratura com a tua lua.
Quero saber se tocaste o centro da tua própria dor, se estiveste aberto ás traições da vida ou se te encolheste e te fechaste com medo de outros sofrimentos! Quero saber se consegues sentar-te com a dor, a minha ou a tua, sem te mexeres para a esconder, disfarçar ou compor. Quero saber se consegues viver a alegria, a minha ou a tua, se consegues dançar com loucura e deixar que o êxtase te encha até ás pontas dos pés e das mãos sem nos advertires para termos cuidado, sermos realistas, ou nos relembrares as limitações de ser humano.
Não me interessa se a história que me contas é verdadeira.
Quero saber se consegues desapontar o outro para seres verdadeiro contigo mesmo; se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma.
Quero saber se consegues ser fiel e, por isso, digno de confiança. Quero saber se consegues ver beleza mesmo num dia não muito bonito, e se consegues alimentar a tua vida da presença de Deus. Quero saber se consegues viver com o erro, teu e meu, e mesmo assim ficar de pé á beira de um lago e gritar á lua prateada, "Sim!".
Não me interessa onde vives nem quanto dinheiro tens.
Quero saber se, depois de uma noite de dor e desespero, exausto, dorido até ao tutano, consegues levantar-te e ocupares-te das necessidades das crianças.
Não me interessa quem és, como chegaste aqui.
Quero saber se permaneces no centro do fogo comigo sem te ires embora.
Não me interessa onde ou o quê ou com quem estudaste.
Quero saber o que te sustém interiormente quando tudo o mais cai á tua volta.
Quero saber se consegues estar só contigo mesmo; e se verdadeiramente gostas da companhia que tens nos momentos vazios.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Regressos.

Setembro. Para mim setembro é janeiro. É aqui que se regressa, que se recomeça, que se fazem planos. Fecha-se um ciclo. Que este novo caminho-projecto seja de luz, para mim, para ti dragonfly, para ti nina, e para aqueles que se sentem a recomeçar. Love u both.